Empreendedoras no mercado de Seguros e na Rede Lojacorr

Atuando como corretoras ou gestoras de Unidades, elas se destacam sabendo usar as características femininas mais importantes na atividade de proteção



Empreender, no Brasil, é algo desafiador, mas pode ser ainda mais para as mulheres no setor de seguros. Porém, como em todas as áreas, elas têm ganhado espaço neste mercado que por muito tempo foi predominantemente masculino. Na Lojacorr há diversos exemplos de mulheres com alta perfomance, e conversamos com algumas delas.


Janaina Luz, concessionária da Unidade Belo Horizonte, ingressou na Lojacorr e nos seguros há pouco mais de dois anos. “Foram desafios de um mundo novo em todos os sentidos. Tive que aprender como funcionam as companhias, os corretores, e sobretudo o modelo de negócios da Lojacorr, no qual fazemos a interface entre corretores e seguradores, então precisamos entender o mercado como um todo”. Segundo ela, ainda existe preconceito por ser mulher e estar no comando da gestão. “Superamos mostrando trabalho. Sempre trabalhei em gestão comercial e de pessoas, acredito que o mais importante é entender de pessoas e se relacionar todos os dias, pois sobre produtos é mais simples aprender”.


“Ser mulher no mercado de seguros é estar muito alinhada com os produtos de comercialização, ter profundo conhecimento do que você faz, é ter a resposta extremamente coerente para todas as perguntas”, completa Marjori Soares, da MaJe Corretora de Seguros (Unidade Florianópolis). Segundo ela, o grande desafio é que a mulher é testada e questionada inúmeras vezes. “Até que depois de uma longa negociação você conquista seu cliente. Esse desafio é muito maior nas negociações de grandes riscos, primeiramente para conseguir participar dela, e muitas vezes não ganha o cliente na primeira, mas não desiste e tenta novamente até que o cliente entende que você realmente tem capacidade para ser a administradora da apólice”, relata.


Muitos foram os desafios encontrados por Lilian Nicolletti, corretora de seguros e concessionária da Unidade Maranhão, ao iniciar nessa carreira. “Costumo brincar que ser mulher já é difícil nesse mercado predominantemente masculino, mas se tiver características de beleza (padrão da sociedade), terá que ralar ainda mais, pois terá que provar que seu atributo principal não é a beleza”. Segundo ela, teve que estudar muito para se destacar no mercado, levando conhecimento técnico na linguagem das pessoas. “Uma comunicação que fizesse as pessoas entenderem o real sentido dos produtos de seguros para a vida deles”.


Lilian conta que em muitas indicações houve o preconceito de alguns homens e também de mulheres. “A partir do momento que você consegue mostrar o seu conhecimento e a sua missão, como consultora que está levando soluções, rapidamente esse preconceito desaparece. Após as visitas iniciavam as novas indicações, pois ali plantamos e deixamos uma semente da credibilidade profissional”, diz.


Quando a concessionária da Unidade Belém, Rosangela Duarte, iniciou no setor de seguros, encontrou como principal desafio conciliar as jornadas de trabalho com as de casa. “Sim, a mulher acaba acumulando duas jornadas de responsabilidades. Porém, sorte grande a minha que sempre tive o apoio de minha mãe, esposo e filho, recebia e recebo deles diariamente palavras de incentivo, sugestões, críticas construtivas e amor, fundamental para buscarmos a tal resiliência e o equilíbrio necessário que todo empreendedor precisa”, conta.


“Independentemente do gênero, empreender é sempre um grande desafio, na visão de Márcia Moura, concessionária da Unidade Vale do Aço. “Isso, na minha opinião, é o que move um empreendedor”.

A corretora Ana Albuquerque, da Viver Seguros (Unidade Florianópolis), concorda: “Ser mulher e ser empresária é algo ímpar, envolve um misto de perfeccionismo e sabedoria ao lidar com problemas cotidianos dos segurados e também os mais complexos”. Para ela, mulher empreendedora ama um desafio. “Eles nos movem para o acerto diário e nada como chegar no fim do dia, tirar o salto e ter sabor de dever cumprido com excelência”.














JANAÍNA LUZ, CONCESSIONÁRIA LILIAN NICOLLETTI, CORRETORA E UNIDADE BELO HORIZONTE CONCESSIONÁRIA DA UNIDADE MARANHÃO












MARJORI SOARES, DA MAJE ROSANGELA DUARTE, CONCESSIONÁRIA

CORRETORA DE SEGUROS, DA UNIDADE BELÉM

INTEGRANTE DA UNIDADE

FLORIANÓPOLIS


"SOMOS PERSISTENTES DIANTE DAS DIFICULDADES, MAIS HÁBEIS PARA LIDAR COM CONFLITOS NO AMBIENTE DE TRABALHO E A INTUIÇÃO E PERCEPÇÃO AGUÇADAS MUITAS VEZES NOS AJUDAM NA TOMADA DE DECISÃO

JANAINA LUZ

CONCESSIONÁRIA DA UNIDADE BELO HORIZONTE



DIFERENCIAIS FEMININOS

É claro que a atuação dos homens tem pontos fortes, mas existem características femininas que ajudam no mercado de seguros. O melhor para uma empresa, ou uma rede de negócios, é a diversidade, trazendo diferentes habilidades e pontos de vista.


Uma das mais importantes é a multifuncionalidade, característica nata das mulheres. Renata Vieira, concessionária da Unidade Curitiba, ressalta que as mulheres conseguem trabalhar com diversos projetos simultaneamente, sem perder o foco e produtividade. “E também temos uma grande capacidade de empatia, o que favorece trabalhar com perfil de pessoas e empresas tão diferentes”, diz. Para Rosangela Duarte, “ajuda bastante nesse mercado que não existe rotina, onde nenhum dia é igual ao outro”. Marcia Moura concorda: “A capacidade de ser profissionais de multitarefas e a sensibilidade aguçada são o que facilitam o trabalho para as mulheres”, contando que em seu caso soma ainda pensamento positivo, superação e perseverança.


Lilian Nicolletti acredita que o perfil de cuidado e dedicação das mulheres faz com que tenham uma habilidade maior para desenvolverem o trabalho da corretagem e serem consultoras para os segurados. “Essa habilidade facilita na distribuição de produtos que realmente darão sentido à proteção do cliente e sua família. A comunicação da mulher que é empática, facilita a visão do cliente, pois conseguimos faze-lo entender o que está adquirindo e o sentido daquele produto em sua vida”.


“Somos persistentes diante das dificuldades, mais hábeis para lidar com conflitos no ambiente de trabalho e a intuição e percepção aguçadas muitas vezes nos ajudam na tomada de decisão”, defende Janaina Luz.


O interesse pela qualificação e aprender cada vez mais é maior entre as mulheres. “Temos atenção ao detalhe e sede em nos desenvolver. Percebemos cláusulas de uma apólice que poderiam passar despercebidas por muitos, e temos mais diálogo com o cliente, o que possibilita entenderemos melhor suas necessidades e soluções adequadas”, defende Marjori Soares. Ela conta que usa muito o universo feminino a seu favor. “Sou atuante em diversos projetos de empreendedorismo feminino, pois além de me oferecerem desenvolvimento são formas de network. O tema me encanta, principalmente na nossa área de seguros, onde realmente existe preconceito machista velado no poder de decisão de compra, mas cabe a nós desenvolver habilidades e competências para vencer está barreira”.


“Unir técnica, conhecimento, interesse no negócio e foco já são características bem importantes. Incluir sensibilidade ao conduzir crises é sempre uma boa opção. É preciso ‘acolher’ a demanda, acreditar e acertar”, completa Ana Albuquerque.














RENATA VIEIRA, CONCESSIONÁRIA ANA DE ALBUQUERQUE, DA VIVER DA UNIDADE CURITIBA CORRETORA DE SEGUROS













MARCIA MOURA, CONCESSIONÁRIA

DA UNIDADE VALE DO AÇO


"O NÚMERO DE MULHERES NÃO AUMENTA NA MESMA CURVA QUE A MASCULINA, HOMENS AINDA PREDOMINAM. PORÉM, AS MULHERES QUE PERSISTEM TÊM SUCESSO

ANA ALBUQUERQUE

VIVER CORRETORA DE SEGUROS, INTEGRANTE DA UNIDADE FLORIANÓPOLIS


CRESCIMENTO DA PARTICIPAÇÃO


Apesar de serem maioria no mercado de seguros, se considerados cargos operacionais em corretoras e seguradoras, e investirem mais em qualificação, ainda são poucas as mulheres em cargos de chefia.


“Observo que nas áreas comerciais de seguradoras temos maior número de mulheres, mas como corretoras de seguros, diretoria e gerência de seguradoras o número é menor. A cada ano ganhamos mais espaço, mas ainda não somos a maioria”, diz Marjori Soares. “Em relação a mulheres de sucesso, tenho uma mão cheia de mulheres corretoras, que servem de inspiração, apresentam muito sucesso na carreira profissional, na criação de filhos e gestão do lar”, comenta.


Renata Vieira garante que os desafios são muitos, mesmo que o mercado de seguros tenha evoluído neste ponto. “Atualmente, há grandes empresas dirigidas por mulheres, não apenas no Brasil, mas no mundo, a AXA Seguros é um bom exemplo disto. As últimas premiações locais dirigidas a corretores de seguros também exemplificam esta realidade, a cada ano vemos corretoras de composição societária 100% feminina se destacando progressivamente”, diz. “Mas ainda há muito preconceito em relação à força de trabalho feminina, mesmo que o nível de escolaridade feminina seja maior de uma forma geral ainda nos deparamos com importantes diferenças salariais e contratuais, não apenas nos cargos de direção. Portanto, ainda temos um grande paradigma social a superarmos.


“O número de mulheres não aumenta na mesma curva que a masculina, homens ainda predominam. Porém, as mulheres que persistem têm sucesso”, avalia Ana Albuquerque.


No Nordeste, tem crescido nos últimos anos a participação de mulheres no mercado, na percepção de Lilian Nicolletti. “Mulheres se destacam em produtos de benefícios pela característica mais consultiva e empática com os clientes. Vejo também mais mulheres presentes em palestras e cursos de reciclagem, o que contribui para que as profissionais se destaquem em nosso mercado. Eu sou suspeita, minha equipe é 100% de mulheres, por acreditar que elas são mais ‘jeitosas’ com os segurados”.


Na Região Norte, especificamente em Belém, segundo Rosangela Duarte, há um cenário bem equilibrado nas corretoras atualmente. “Temos na Unidade vários cases de sucesso de corretoras de seguros empreendedoras, o que me deixa muito orgulhosa”. Mas ela pondera que não foi nada fácil conquistar esse espaço num mercado historicamente masculino. “Foi realmente dando as mãos, ‘uma puxando a outra’, incentivando a capacitação, orientando a deixar de lado as questões culturais, principalmente de se sentir limitada em relação à atuação masculina, abdicando muitas vezes da maternidade, fazendo cair por terra que mulher é sexo frágil”. Em sua visão, hoje as mulheres têm recebido apoio dos homens para se desenvolverem. “Aprendemos muito com eles e eles com todas nós. Essa troca gera aprendizado, uma sinergia muito boa, gerando resultados positivos para todos”.



FONTE: REVISTA CORRETORA DO FUTURO

Edição 31 | Ano 6 | jan/fev/mar